terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Entrevista de esclarecimento acerca do cancro com a Dr.Filomena do IPO

Iniciámos a nossa entrevista com a Dr. Filomena apresentando-lhe o nosso projecto. A doutora informou-nos que uma vez que existem muitos pedidos, e não há disponibilidade para corresponder a todos, só iriam aceitar 10 pedidos.
Disponibilizou-se também a fazer um pequeno texto a abranger várias temáticas sobre o cancro que nos enviará posteriormente. Referiu a importância de termos cuidado com o que pesquisamos na internet, pois não temos conhecimentos necessários para fazer a triagem de toda a informação que poderemos encontrar. Aconselhou-nos também a não abranger todos os temas, pois podemos acabar por nos “perder”. Foi-nos dito, que sempre que precisássemos de alguma coisa estariam prontos a ajudar, que poderíamos falar com crianças e que poderíamos falar com várias pessoas.

Informações disponibilizadas sobre tudo o que envolve a doença:
Quando uma criança chega ao hospital é necessário conhecê-la, assim como à sua família, saber a sua organização, o seu nível social, a situação psicológica em que se encontra. Tentam saber o que as pessoas sabem sobre o que se está a acontecer e é por ai que percebem o que as famílias têm capacidade para compreender, pois a comunicação nestes casos é muito importante. Muitas das vezes os pais ficam em pânico quando se deparam com toda a informação que encontram na internet, e é necessários desmistificar isso.
O cancro nos adultos é muito diferente do cancro nas crianças. Nos adultos o ADN vai perdendo a capacidade de se renovar e as células têm menor capacidade de multiplicação sem problemas. É um cancro de “idade”. Nos jovens, alguns cancros têm origem genética, outros são devidos à exposição a radiações, a poluentes, a infecções, etc…, que actuam no ADN e fragilizam-no. São cancros que se desenvolvem muito rapidamente, mas que por isso mesmo têm maior taxa de sucesso de cura do que nos adultos, pois há uma grande multiplicação celular. Nos tumores que crescem muito, a quimioterapia tem resultados muito positivos. A taxa de cura do cancro é superior a 75% devido a isto muito. Os tratamentos são muito agressivos, embora menos do que já foram, mas a taxe de sucesso é elevada. No entanto tudo depende do tipo de cancro, leucemias e linfomas têm maior taxa de cura do que por exemplo um tumor no sistema nervoso. A duração do tratamento de leucemias tem, quando tudo corre sem problemas, a média de 2 anos, mas só após 5 anos é que se pode considerar curada. No entanto, uma vez por ano, têm de ir à “consulta dos duros” (consulta das pessoas que já passaram pela doença e estão curadas) para ver se está tudo bem.
Durante a fase de tratamento estabelecem-se planos a curto prazo e efectua-se um tratamento inicial para ver como o doente reage. Não se pode viver a pensar no futuro, mas sim no presente. É também necessário que exista estabilidade nas crianças e que a família não se desorganize. Quando as crianças são de longe tenta-se fazer com que as crianças sejam seguidas pelos centros de saúde, para evitar que tenham de viajar tantas vezes, e para sensibilizar as pessoas locais.
A leucemia é o tipo de cancro que mais afecta as crianças, e há maior probabilidade de existir cancro em crianças com 1 ano, com 4 anos e durante a adolescência, pois são períodos em que há rápido crescimento.
A criança é recebida pelo médico, por uma assistente social que tenta perceber que tipos de apoio pode fornecer, por um psicólogo para saber que nível de risco de desequilíbrio pode haver, recebe a escola, recebem os enfermeiros. E é assim, com uma grande equipa, que vai sendo possível sobreviver.
De seguida passámos pela parte de internamento, fomos visitar a escola mas estava fechada para reuniões e tivemos a oportunidade de espreitar uma sala onde estava a haver uma sessão de cinema! Fomos também à sala de espera, das consultas, ao parque infantil, ao ambulatório e ao hospital de dia.
No hospital de dia fomos recebidas por uma educadora. Esta disse-nos que as crianças só ficam internadas quando é estritamente necessário, e que sempre que possível o tratamento é feito em ambulatório. Como a máquina necessária ao tratamento é dotada de mobilidade, eles podem ir até à sala de espera, onde está sempre uma educadora, para se distraírem. Por vezes os dias começam com a realização de análises, à tarde têm uma consulta e por vezes de seguida tratamento. O tratamento não é pago pelas famílias. Quando se fazem todos os tratamentos possíveis e nada resulta, a criança pode ir para os cuidados paliativos, onde são minimizadas as dores e se tenta fazer com que a criança se sinta o melhor possível. Ou então podem ir para casa e serem seguidas pelos centros de saúde.
Por ano há cerca de 150 novos casos de cancro, e o Outono e a Primavera são sempre alturas em que aparecem mais casos, embora não se saiba o motivo.
Quando os tratamentos baixam muito os níveis de defesas do organismo, as crianças não podem mesmo ir à escola, nem contactar muito com outras pessoas, pois uma simples varicela pode ser mortal.
No hospital de dia há sempre dois médicos e a partir das 17h fica sempre um médico de urgência. Quando as crianças são internadas há sempre uma pessoa da família com elas durante 24h. O IPO tem um lar de apoio aos doentes, no entanto lá tanto estão crianças, como adultos.
Quando a família recebe a notícia da doença, as reacções variam muito, não há um “estereótipo”.

Sem comentários:

Enviar um comentário